O Desafio do Autoconhecimento
Todos nós somos treinados desde cedo a cuidar do nosso aparato biológico; aprendemos os bons hábitos de higiene que permitem manter nosso corpo saudável e socialmente apresentável; somos estimulados a buscar os diferentes especialistas médicos tão logo qualquer sintoma físico se nos assomem. Desde pequenos somos instruídos a cuidar dos nossos machucados físicos e mesmo aos gritos e sob protestos somos obrigados a colocar aquele remedinho que arde. Porém quando se trata da nossa parte mais subjetiva o tratamento é bem diferente. Os sentimentos e emoções inerentes à nossa natureza humana precisam ser negados ou reprimidos, pois os adultos não aprenderam a lidar com eles e por isso não sabem ensinar às crianças a fazê-lo. Ignoramos os sintomas da nossa alma e deslocamos seus efeitos para um lugar seguro onde possam ficar aprisionados e não nos perturbar.
Acontece que esses conteúdos por serem inconscientes, negados ou reprimidos, adquirem uma força e um poder que estão além do nosso controle e astutamente nos assaltam quando menos esperamos, com os mais variados disfarces, deixando-nos completamente nocauteados e com profundas sequelas. Como não os conhecemos, não sabemos como lidar com eles. Afinal, como tratar de uma doença que não foi diagnosticada? E assim ficamos à mercê desse poder desconhecido e a seu serviço.
Nosso grande desafio, é portanto, descobrirmos quem somos; irmos a busca de nós mesmos, intrepidamente como propõe a musica de Luís Carlos Sá e Sérgio Magrão “Caçador de Mim” cantada por Milton Nascimento:
“Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura”
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura”
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